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Sequestro de Santo André: O país dos palpiteiros pós-jogo

Uma das coisas que mais me impressiona nesta história toda do “Sequestro de Santo André” é como, após o desfecho, o país se infestou de especialistas. Na TV, no boteco e no orkut, todo lugar está infestado de gente que sabe apontar exatamente os erros da polícia no caso e qual teria sido a solução ideal.

Mas é claro que todas essas pessoas tem formação em psicologia, para entender como o Lindemberg pensa e reage. Todas essas pessoas lidam todo dia com situações de risco, passaram por longo treinamento em resgate de reféns, tem um mapa detalhado do local, conhecem todos os detalhes do desenrolar dos fatos, e acima de tudo, dispõe de um dispositivo fantástico que qualquer polícia do mundo devia ter, que permite visualizar o futuro e saber qual dos rumos vai levar ao melhor desfecho.

Me parece que somos o país dos palpiteiros pós-jogo. Estamos sentados no confortável sofá de casa, assistindo na TV o jogo do nosso time favorito. Nosso time perdeu! “Técnico burro!” Ah, nós sabemos exatamente qual substituição ele devia ou não ter feito, e se fosse um de nós lá, nosso time teria ganhado. É ou não é?

Talvez faça sentido aplicarmos a mesma lógica no sequestro de Santo André. Talvez não seja tão absurdo assim tratar isso como mais um entretenimento televisivo que consumimos, é mais um jogo de futebol, e deste ponto de vista faz sentido ficar fazendo nossos palpites pós-jogo. Mesmo sem conhecimento de causa, sem saber detalhes do ocorrido, do campo, do time adversário. O que vemos na TV é suficiente. Técnico incompetente. Polícia incompetente. Tinha que ser no Brasil. Burros! Ah se fosse eu lá! Eu…

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Review – Notebook Asus W7S (powered by Ubuntu Gutsy)

Hoje faz exatamente um mês que comprei um notebook Asus W7S. Não fiz um review logo, para não ser tendencioso devido cegueira da “paixão à primeira vista”. Agora, passado um tempo, me sinto mais a vontade para fazer comentários. Antes da compra pesquisei sobre o note, achei pouca coisa, a decisão pela compra foi mais pela especificação e por ver ele ao vivo, na loja. Espero que o review possa ajudar compradores indecisos. Aproveito ainda para falar da minha experiência com Linux nele.

Important Warning: My issues with W7S and nVidia GeForce 8400m overheating GPU

Especificações

Primeiro, vamos às especificações do notebook. Existem variações no modelo W7S, com mais ou menos HD, mais ou menos memória, fique atento a isto!

Modelo: Asus W7S R
CPU: Intel Core 2 Duo 2Ghz (T7300 – 4Mb Cache L2)
RAM: 2,5Ghz (512Mb soldados na placa, + 1 pente de 2Gb)
Display: 13.3” WXGA
Vídeo: GeForce 8400M G 128Mb
HD:
Hitachi 120Gb 5400RPM
Rede1: Ethernet 10/100/1000
Rede2: Wireless 802.11 b/g
Rede3: Modem 56K
I/O1: DVD-RW/CD-RW (LightScribe)
I/O2: Leitor de Cartões de Memória 4-em-1 (SD/MMC/MS/MS PRO)
I/O3: 3 x USB 2.0
I/O4: Firewire IEEE 1394
Webcam: Fixa, 1.3Mpx
Bateria: Lithium – 6 Células

Peso: 1,95Kg
Dimensões: 315 x 226.5 x 29~36.9mm

Avaliação Geral

Prós:

  • Pequeno e leve, mas não demais. A tela de 13.3” parece ser a combinação ideal de portabilidade & usabilidade.

    W7S - Bic 1W7S - Bic 2W7S - Fechado

  • O processador Core 2 Duo, com 4Mb de cache L2, é muito bom para tarefas usuais e não tão usuais também. Combinado com 2,5Gb de RAM, rodei Windows Vista (sem Aero) em máquina virtual em cima do Linux, sem muita perda de performance!
  • A placa gráfica nVidia 8400M tem capacidade suficiente para quem não é um gamer viciado… roda muito bem bons jogos, dá e sobra pra rodar tudo que é efeito gráfico do Compiz (e provavelmente do Aero, que não experimentei ainda).
  • Vem com mouse bluetooth, maleta asus, capa protetora, além de outros itens. Opcionais nem sempre presentes em outros notes.

    W7S - Mouse BTW7S - CapaW7S - Maleta

  • É bonito. Tem uma versão branca, pela qual já recebeu o apelido de “macbook wannabe”, mas fiquei com a versão preta.

Contras:

  • Não é um contra só desse note, afinal é raro notebooks com muito mais capacidade, mas… a bateria não ajuda muito na portabilidade… dura umas 2hs em uso comum. Nunca esqueça de levar o carregador.
  • Do mesmo modo, é um contra de quase todo notebook: o gargalo de desempenho é o HD de 5400RPM. Demora pra acostumar pra quem só usava desktop com mais desempenho de HD.
  • Esquenta bastante. Nada indesperado, considerando que dentro de seu pequeno tamanho operam dois núcleos Intel de 2Ghz e um GeForce 8400. O Core 2 Duo chega fácil a 70~80ºC em carga (fica em volta dos 60ºC em operações normais, tipo escrever este texto no blog… e o limite, pelo site da Intel, é 100ºC), a GeForce pode ir até mais durante um jogo pesado (Segundo a nVidia, o limite é 110ºC). No teclado é morno, nada extremamente desconfortável. O problema maior quanto a calor é a saída de ar, no lado direito, bem onde você fica com a mão quando usa o mouse. O ar que sai dali, acredite, é *muito* quente. Já que o mouse e bluetooth, aproveito pra manter uma distância dali hehehe. Ah, e não pense em usar ele no colo sem algum pano (a capa protetora inclusa serve);
  • Só tem um slot de memória, e esses 512Mb soldados na placa mãe. Ou seja, o máximo que você consegue é 2,5Gb de RAM com ele. Suficiente pra maioria dos mortais. Ainda estou tentando entender o que deu na cabeça do projeteista pra soldar os 512Mb na placa mãe.
  • Uma mancada muito grande, para um note desse nível, mas que não incomoda mais após um mês de uso: O teclado ABNT2 colocado na versão brasileira tem uma tecla mapeada errada. A tecla”/?” está mapeada para o “Ctrl direito”. ATUALIZADO: Além da opção de usar “AltGr+Q” para “/” e “AltGr+W” para “?” que eu já havia comentado, é possível arrumar o mapemaneto com o uso do comando
modmap -e "keysym Control_R = slash question"

E adicionar a linha ~/.Xmodmap para fazer a correção ser permanente:

keysym Control_R = slash question

A solução não corrige o problema para o caracter de “grau” que deveria ser mapeado pra essa tecla também. Não adianta colocar “degree” depois, como seria esperado, tentei isso e não deu certo. Agradeço ao Thiago Ramos, leitor do blog, pela dica dessa solução!

  • W7S - Teclado

Ou seja: nenhum contra muito grave. Ouvi falar muito do problema de aquecimento, mas não achei nada fora do comum, na verdade fiquei satisfeito pois esperava algo muito pior.

Powered by Linux

O W7S-R vem sem sistema operacional. Ótimo, não queria um W$ embutido nele mesmo, economizou o tempo da formatação. Se você pretende usar Linux nele, uma boa notícia: o Ubuntu Gutsy (7.10) saído do forno hoje funciona muito bem nele. As versões antigas exigiam a instalação via CD alternate, mas a atual funciona muito bem. Testei tanto a versão 64bits quanto a 32bits, acabei ficando a segunda pela falta de coisas como plugin java 64 bits (um absurdo a Sun ainda não ter providenciado isso, mas isso é assunto pra outro post). Cheguei a tentar o OpenSuse 10.3, mas não consegui dar jeito de fazer o mouse bluetooth funcionar nele. Algumas coisas que foram testadas no Gutsy:

  • Gravador CD/DVD: OKAtualizado: A função LightScribe funciona!!! Existe um programa pra Linux no site oficial da LightScribe, instale os rpms no Ubuntu usando o programa alien (pra converter de rpm pra deb).
  • Leitor de Cartões: OK – Funciona com SD, não tenho outros cartões pra testar.
  • Wireless: OK – Funciona out-of-the-box, ou seja, imediatamente após a instalação.
  • Mouse bluetooth: OK – Aperte o botão sob o mouse, a luz azul vai piscar. Execute o comando sudo hidd –search, deixe ele achar o mouse e pronto! Agora, toda vez que ligar o computador, após iniciar o X, basta apertar o botão direito do mouse e ele funciona perfeitamente! Falando em bluetooth, transfiro arquivos entre ele e o V3 sem problemas. Não tentei outras funcionalidadesdo bluetooth ainda, mas parece que o suporte está muito bom.
  • Placa nVidia: OK – Instale o driver proprietário da nVidia (100.x, pacote nvidia-glx-new) que vai funcionar muito bem. Testei usando a saída pra projetor, sem qualquer problema. Usando o compiz sem qualquer perda perceptível de desempenho.
  • Touchpad: OK – Adicione o pacote gsynaptics, edite o arquivo /etc/X11/xorg.conf e inclua na sessão InputDevice do touchpad a linha a seguir. Vai passar a funcionar perfeitamente, inclusive tecla de habilitar/desabilitar o touchpad (Fn+F9):
    Option         "SHMConfig" "true"
  • WebCam: (ATUALIZADO: 12/07/2008) – Um patch feito por Derek Bruce resolve o problema da imagem invertida na webcam! Confira aqui.
Conclusão

Este não é um review terminado, ainda vou revisar e completar ele. Se tiver dúvidas específicas, pergunte que posso tentar responder, desde que não envolva Windows (instalei Windows XP em máquina virtual (VirtualBox) só pra quebrar o galho quando preciso, e o Vista tb em máquina virtual só pra mostrar que funciona, já que tenho licença de ambos). Coloquei algumas fotos bem mal feitas, quando der peço pro meu irmão (André) tirar uma fostos mais decentes 😉

É um ótimo notebook, aliando pequeno tamanho, excelente capacidade de processamento, e um bom preço também. Pesquisei bastante antes da compra (antes que alguém venha falar qualquer coisa: em lojas brasileiras, legalizado, Nota Fiscal, Garantia, etc.) e não achei custo/benefício melhor. Se fala demais do problema de calor dele, fiquei meio preocupado na hora da compra, mas agora, após um mês, vi que é bem menos grave do que fazem parecer nos fóruns. E o Linux roda muito bem nele, então tá recomendado pra turma do pinguim. E apesar de não ter testado, tenho certeza que o Vista iria funcionar “razoavelmente bem” nele também. O XP, mesmo em máquina virtual, voa nele ;).


Linux On Laptops

OBS: Para o Iulu e outros que estiverem preocupados com resolução e uso para programação, aí vai uma screenshot para vocês avaliarem.

W7S ScreenShot

A nova TagCloud do Globo.com

O portal de notícias Globo.com mudou de cara, e, entre outras coisas, incorporou o recurso TagCloud, ou talvez seria melhor dizer SearchCloud, já que no caso deles indica os termos mais comuns que estão sendo procurados pelos leitores. Vejam a nuvem em exibição agora a pouco, quando acessei:

Search Cloud Globo.com

 

Mulheres (de preferência as mais envolvidas em polêmicas) e futebol são os temas em maior destaque. Aparecem novelas e outras atrações televisivas. Alguns poucos interessados em coisas mais sérias: por exemplo o Furacão Katrina (ou tem outra Katrina na área e eu não tô sabendo), e é claro, não podia deixar de faltar a mega-sena em dia após sorteio acumulado.

O que me chama a atenção é: Simplesmente não há qualquer referência ao julgamento do mensalão no supremo, ou a qualquer outro fato relevante que esteja (ou deveria estar) em evidência.

Lamentável.

Cansei!

De tanta demagogia. Ô campanha ridícula. “Um minuto de silêncio pelo país?”

Precisamos que as pessoas dediquem mais de um minuto ao nosso país. Mais de um minuto na hora de escolher seus representantes políticos. Mais do que um minuto dedicado à diminuir as injustiças sociais. Mais do que um minuto acompanhando o que está acontecendo no país, através de leitura de jornais e revistas. Falando em leitura, mais do que um minuto de leitura diária de um blog, usando também algum tempo para ler bons livros. Mais do que um minuto cobrando das autoridades a solução dos problemas do país.

E por aí vai…

Mais uma campanha demagoga e politiqueira… Dessas, eu também já cansei!

Preconceito de quem?

Está rolando nos veículos de comunicação Globais uma polêmica sobre um jornalista da delegação norte-americana que está no Rio para o panamericando, que teve uma foto publicada onde aparece a frase “Welcome to the Congo!” escrita em um quado atrás dele.

AGENCIA O GLOBO

Veja algumas das notícias publicadas:
» Prefeito diz que americano mereceu punição
» Americano é afastado dos Jogos após gafe
» Americano pedirá desculpas por gafe
» Dirigente americano esquiva-se de polêmica
» Cesar Maia ironiza preconceito de americano
» Americano comete gafe no Riocentro
» Tire suas dúvidas sobre Brasil e Congo

O cidadão estadunidense já foi despachado pra casa, e notas de retratação da delegação e dele próprio foram divulgadas. Desde o começo ele afirma que não foi ele quem escreveu, e que a frase foi escrita em referência ao calor que fazia no local (obs: uma sala alugada pela delegação norte-americana, não uma sala do pan) antes que os ar-condicionados fossem ligados.

Quem me conhece sabe que eu estou longe de ser um defensor de norte-americanos e de como eles encaram o resto do mundo. (E se alguém afirmar que me viu numa festa de 4 de julho, fui coagido a ir, ok? 😛 Foi pela família, não pelo 4 de julho!). É fato que a brincadeira foi desnecessária. Mas tudo leva a crer que não é nada mais que uma referência ao calor do Congo mesmo (que tem clima semelhante ao norte brasileiro, sempre quente). Por isso, as perguntas:

  1. A imprensa (ok, o lado global da força) não está sendo preconceituosa com o norte-americano, julgando que ele quis dizer algo mais do que ele diz que quis dizer?
  2. Ok, vamos supor que ele quis dizer algo mais. Tudo que algum jornalista global pensou como algo mais não seria uma visão preconceituosa das reportagens globais contra o Congo? Alguém parou pra pensar como eles (?congonenses?) estão encarando o fato de alguém usar o Congo como referência ser algo tão ofensivo?

Resumindo, eu não suporto a visão típica da ?maioria? (a que aparece mais, pelo menos) norte-americana com relação ao resto do mundo. Mas suporto menos ainda mídia sensacionalista e preconceituosa. O norte-americano, que como bom jornalista devia ter aprendido que quanto caiu na rede nínguem segura, pagou caro por deixar ser fotografar assim. Pena mesmo, tenho do pessoal do Congo.

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