Criptografia para leigos – Parte 2

No último post desta série comentei alguns aspectos básicos sobre criptografia. Falei de maneira mais simples possível o que é criptografia e como ela é realizada. Terminei falando sobre a questão da chave, e a sua importância.

Não sei se você parou pra pensar, mas a chave é um problema. Se você quer cifrar uma mensagem, passar ela para outra pessoa, e quer que ela possa decifrar a mensagem, você precisa passar a chave pra essa pessoa. E se você está cifrando o texto, quer dizer que você quer que aquela pessoa possa ler a mensagem, mais ninguém. A questão óbvia é: como vou enviar a chave de maneira segura? Mandar ela junto com a mensagem não dá, qualquer pessoa que tiver acesso no meio do caminho vai poder ler a mensagem, pois tem a chave e a mensagem. Talvez então telefonar e falar a chave? Oras, se o telefone é seguro, por que não fala a mensagem pelo telefone de uma vez?
A mesma coisa vale pra todo outro meio que você puder imaginar. Como é possível resolver este dilema?

A criptografia simétrica, que é essa aí onde você combina uma única chave que é conhecida pelas duas pessoas, é sim muito utilizada. Mas antes de começar a falar como se faz, afinal, pra combinar essas chaves de maneira segura, vou falar sobre outro tipo de criptografia. A criptografia assimétrica!!!

Não seria bom se, quando eu quero cifrar um texto pra você, você pudesse me falar sua chave publicamente, por exemplo colocar ela no seu site? A criptografia assimétrica permite isso. A ideia básica é a seguinte: através de uma série de artifícios matemáticos (envolvendo por exemplo números primos), é possível fazer criptografia com duas chaves. Uma, você guarda pra você, e chama de chave privada. A outra, você fala pra todo mundo, e chama de chave pública. Existem métodos de gerar essas chaves, de forma que vão acontecer três coisas muito interessantes:

  • Se você cifrar algo usando a chave privada, a chave pública pode decifrar o código gerado. Ou seja, se você usar sua chave privada para cifrar uma mensagem, todo mundo vai poder decifrá-la! Isso pode parecer inútil pra você neste momento, mas em outro artigo, vou mostrar a utilidade disso.
  • Se você cifrar algo usando a chave pública, a chave privada pode decifrar o código gerado. Agora sim! Se você percebeu, todos tem acesso à sua chave pública, não apenas você! Ou seja, todos podem cifrar mensagens que só você pode abrir!
  • E, como não poderia deixar de ser, é impossível descobrir qual é a chave privada tendo apenas acesso à chave pública. Como não pretendo entrar em detalhes, apenas aceite que, usando bons métodos de geração de chaves, isso é verdade.

Ou seja, basta cada pessoa gerar um par de chaves, contar a sua chave pública pra todo mundo, e nossos problemas acabaram! É claro, existem várias coisas que devem ser observadas, e gerar estas chaves não é algo tão simples assim (é simples suficiente pra qualquer computador caseiro fazer em poucos segundos). Mas é possível e é assim que funcionam muitos dos sistemas de criptografia modernos. A figura abaixo ilustra o processo de cifragem e decifragem com criptografia assimétrica:

Cifragem Assimétrica

Cifragem Assimétrica

Agora você pode estar perguntando: por que, então, ainda se usa criptografia simétrica? A resposta é simples: ela é muito mais rápida. Se você precisa cifrar milhões de dados, não vai querer usar a criptografia assimétrica. Mas que tal usar a criptografia assimétrica pra combinar uma chave, e depois usar de novo criptografia simétrica 😉 ? Se a criptografia assimétrica é “cara”, use ela só pro que interessa, ou seja, cifrar com a chave pública da pessoa com quem você quer se comunicar uma quantidade pequena de informações: uma chave simétrica. Depois que ambos conhecem a chave simétrica, pronto, use ela para trocar dados sigilosos. É baseado nessa ideia que funciona inclusive o sistema de “sites seguros”, aqueles com https e “cadeado”, por exemplo os sites de bancos virtuais.

No próximo post, agora que temos um pouco de noção dos dois principais modos de criptografia, farei uma abordagem um pouco mais prática, mostrando exemplos reais de onde você utiliza criptografia no seu dia-a-dia. Até!

4 pensamentos sobre “Criptografia para leigos – Parte 2

  1. anonimo disse:

    cara, vc realmente tem o dom de ensinar
    parabens

    t+ tudo de bom

  2. Elaine disse:

    olá, poxa tem um que me passaram para desifrar será q pode me ajudar? obrigada

    Nem tudo é fácil ou po$$ível de decifrar… Mas manda aí…

  3. aline disse:

    como criptografia é dificil resolví fazer minha MONOGRAFIA sobre certificação digital ja to quase ficando louca não imaginei que fosse tão complexo

  4. illo weber disse:

    Parabéns rapaz. Muito bom o seu post. Realmente me ajudou a esclarecer algumas dúvidas.

    To tentando implementar a criptografia assimetrica no meu tcc.

    vlw

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